Cine.Ema 2018

Cineasta Orlando Bomfim Netto será homenageado no Cine.Ema

Orlando Bomfim - Bianca Sperandio

Orlando Bomfim – Bianca Sperandio

O roteirista, diretor e fotógrafo Orlando Bomfim Netto, de 77 anos, será homenageado na quarta edição do Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo (Cine.Ema). Orlando foi o primeiro cineasta a registrar sistematicamente, a partir da década de 1970, aspectos da cultura do Espírito Santo em documentários que se tornaram peças valiosas do patrimônio histórico e da cinematografia capixaba.

Reconhecido como um dos grandes mestres do cinema capixaba moderno, Orlando Bomfim Netto é mineiro de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira em 1969, com a realização do curta-metragem carioca Status 69. Sempre ligado ao Espírito Santo, realizou em 1975 seu primeiro documentário em terras capixabas, o histórico Tutti Tutti Buona Gente, retratando o centenário da imigração italiana no Estado.

Entre as produções feitas no estado se destacam também dois trabalhos premiados de temática ambiental: Itaúnas – Desastre ecológico (1979) e Augusto Ruschi Guainumbi (1979). Os filmes vão ser exibidos durante o Cine.Ema que acontece nos dias 8 e 9 de junho de 2018, no distrito de Burarama, Cachoeiro de Itapemirim.

Orlando Bomfim relembra que diversos acontecimentos na época provocaram o interesse pelas produções dos documentários. Ele conta que a reserva ambiental construída do Ruschi em Santa Teresa quase foi vendida pelo governo estadual e que diversos moradores do município não gostavam do ambientalista por sua defesa a natureza.  

“Augusto Ruschi era um gênio conhecido no mundo inteiro, com centenas de condecorações no exterior, e aqui ninguém ligava para ele. Em Santa Teresa tinha gente que não gostava dele, porque ele não queria que as pessoas matassem animais. Esse pessoal de imigração  tinha o hábito, por necessidade, de caçar. O Ruschi começou a combater isso, indo nas escolas, ensinando, como também começou o movimento ambiental a ter importância”, relata Orlando.

Ainda de acordo com Orlando, foi por meio de muito trabalho que os documentários puderam ser filmados e depois exibidos. Acredita que o esforço não foi em vão. É importante para a preservação da história do desenvolvimento do Estado, e desperta o interesse para a proteção do Meio Ambiente. Como o passado de Itaúnas, coberta pela areia. Uma curiosidade é que, no documentário, o cineasta inseriu ilustrações feitas pelo desenhista Carybé, que realizou uma viagem pelo Espírito Santo em 1953. Naquela época a areia ainda não tinha coberto as casas e a antiga igreja da vila.

“É importante ter esses registros. A areia foi subindo porque não tinham mais árvores. Não tinha vegetação. No Espírito Santo, cortava-se Jacarandá para exportar. Uma vez exibindo os filmes em uma escola, uma criança perguntou se o Espírito Santo tinha Mata Atlântica”, relembra o cineasta.

SOBRE ORLANDO

Orlando Bomfim Netto é roteirista, diretor, diretor de produção e fotógrafo brasileiro. É fundador, diretor e presidente da ABD-RJ reeleito, até 1981 e fundador e 1º Presidente da ABD/ES em 2000.

É diretor e produtor de mais de 15 curtas e médias. Participou da produção de mais de 10 longas, como o filme Tio Maneco, O Caçador de Fantasma de Flávio Migliaccio, e o longa Quem Tem Medo de Lobisomem de Reginaldo Farias. Orlando chegou ainda a atuar como Secretário Executivo da Câmara Estadual do Audiovisual do ES.  

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