Conheça os jurados do Cine.Ema

Jurados Cine.Ema 2018

Um time gabaritado foi escalado para integrar o júri do Cine.Ema, festival de cinema ambiental que vai acontecer em junho, em Burarama. A missão de selecionar quais curtas concorrentes vão faturar o “Sino de Ouro”, caberá à Leandra Moreira, presidente da ABD Capixaba, especialista em Cinema pela ECA/USP, ao roteirista, diretor de produção e fotógrafo, Orlando Bomfim Netto, que tem de 15 curtas e médias e 10 longas no curriculum e Ériton Berçaco, organizador da mostra “Pare, olhe, escute” e curador do Fecin – Festival de TV e Cinema de Muqui. “Esta é a minha primeira experiência em uma comissão julgadora. Não é uma missão fácil julgar o trabalho do outro, mas me dá conforto saber que dividirei essa responsabilidade com profissionais incríveis, pois sei que seremos o mais justos e criteriosos possível”, declara Leandra. Ela garante que, embora seja uma mostra competitiva, não há concorrência. “Não é uma disputa, é arte. No audiovisual somos poucos e torcemos sempre uns pelos outros”, garante.

Festival promove intercâmbio entre cineastas

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Além de levar para o público uma seleção super bacana de curtas com a abordagem sustentável, o Cine.Ema também proporciona um verdadeiro intercâmbio entre cineastas de vários cantos do país. Para se ter ideia, nesta edição do evento, há concorrentes de Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Pernambuco, que vão se juntar aos capixabas que sempre prestigiam a grande festa do cinema ambiental.

Empolgado para o início do festival, o cineasta mineiro Renato Gaia diz que sempre que pode prestigia esses eventos, pois vê uma grande oportunidade de troca com outros diretores. “Quando a gente vê filmes de outros diretores, temos vontade muito grande de trocar ideias e olhares, e esses festivais permitem essa interação”, destaca. Para ele, é gratificante ter a chance de conhecer além dessas pessoas, que como ele, fazem e vivem o cinema. “Passamos a conhecer não apenas as pessoas, mas a entender melhor a sua obra”, diz.

Cineasta Orlando Bomfim Netto será homenageado no Cine.Ema

Orlando Bomfim - Bianca Sperandio

Orlando Bomfim – Bianca Sperandio

O roteirista, diretor e fotógrafo Orlando Bomfim Netto, de 77 anos, será homenageado na quarta edição do Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo (Cine.Ema). Orlando foi o primeiro cineasta a registrar sistematicamente, a partir da década de 1970, aspectos da cultura do Espírito Santo em documentários que se tornaram peças valiosas do patrimônio histórico e da cinematografia capixaba.

Reconhecido como um dos grandes mestres do cinema capixaba moderno, Orlando Bomfim Netto é mineiro de nascimento, mas criado no Rio de Janeiro. Iniciou sua carreira em 1969, com a realização do curta-metragem carioca Status 69. Sempre ligado ao Espírito Santo, realizou em 1975 seu primeiro documentário em terras capixabas, o histórico Tutti Tutti Buona Gente, retratando o centenário da imigração italiana no Estado.

Entre as produções feitas no estado se destacam também dois trabalhos premiados de temática ambiental: Itaúnas – Desastre ecológico (1979) e Augusto Ruschi Guainumbi (1979). Os filmes vão ser exibidos durante o Cine.Ema que acontece nos dias 8 e 9 de junho de 2018, no distrito de Burarama, Cachoeiro de Itapemirim.

Orlando Bomfim relembra que diversos acontecimentos na época provocaram o interesse pelas produções dos documentários. Ele conta que a reserva ambiental construída do Ruschi em Santa Teresa quase foi vendida pelo governo estadual e que diversos moradores do município não gostavam do ambientalista por sua defesa a natureza.  

“Augusto Ruschi era um gênio conhecido no mundo inteiro, com centenas de condecorações no exterior, e aqui ninguém ligava para ele. Em Santa Teresa tinha gente que não gostava dele, porque ele não queria que as pessoas matassem animais. Esse pessoal de imigração  tinha o hábito, por necessidade, de caçar. O Ruschi começou a combater isso, indo nas escolas, ensinando, como também começou o movimento ambiental a ter importância”, relata Orlando.

Ainda de acordo com Orlando, foi por meio de muito trabalho que os documentários puderam ser filmados e depois exibidos. Acredita que o esforço não foi em vão. É importante para a preservação da história do desenvolvimento do Estado, e desperta o interesse para a proteção do Meio Ambiente. Como o passado de Itaúnas, coberta pela areia. Uma curiosidade é que, no documentário, o cineasta inseriu ilustrações feitas pelo desenhista Carybé, que realizou uma viagem pelo Espírito Santo em 1953. Naquela época a areia ainda não tinha coberto as casas e a antiga igreja da vila.

“É importante ter esses registros. A areia foi subindo porque não tinham mais árvores. Não tinha vegetação. No Espírito Santo, cortava-se Jacarandá para exportar. Uma vez exibindo os filmes em uma escola, uma criança perguntou se o Espírito Santo tinha Mata Atlântica”, relembra o cineasta.

SOBRE ORLANDO

Orlando Bomfim Netto é roteirista, diretor, diretor de produção e fotógrafo brasileiro. É fundador, diretor e presidente da ABD-RJ reeleito, até 1981 e fundador e 1º Presidente da ABD/ES em 2000.

É diretor e produtor de mais de 15 curtas e médias. Participou da produção de mais de 10 longas, como o filme Tio Maneco, O Caçador de Fantasma de Flávio Migliaccio, e o longa Quem Tem Medo de Lobisomem de Reginaldo Farias. Orlando chegou ainda a atuar como Secretário Executivo da Câmara Estadual do Audiovisual do ES.  

Cine.Ema divulga filmes selecionados para mostra competitiva

PEDRO E O VELHO CHICOPEDRO E O VELHO CHICO

Festival de cinema ambiental vai acontecer em junho, em Burarama. Esta edição traz como novidade a seleção de filmes voltados para o público infantil

Acabou o suspense! O Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo (Cine.Ema) acaba de divulgar o resultado dos filmes selecionados para a mostra competitiva que vai acontecer no distrito de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim, em junho. Oito curtas com a temática ambiental concorrem ao troféu “Sino de Ouro”, honraria dada para as melhores produções audiovisuais nas categorias animação, documentário e ficção.

Minas Gerais foi o Estado com maior número de filmes selecionados, três no total: “Pedro e o Velho Chico”, de Renato Gaia, “Tembîara”, de Jackson Abacatu, e “A garota que reciclava sonhos”, de Patrick Moysés. Também concorrem os curtas “A Horta”, de Carla Leoni e Richard Dantas, “Desbrava”, de Gustavo Girotto, “Latossolo”, de Michel Santos, “Nanã”, de Rafael Amorim e “Cisternas nas escolas”, de Tiago Vieira dos Santos. O Cine.Ema 2018 recebeu um conjunto de cerca de 100 filmes, entre os da mostra competitiva e os da não-competitiva para uma reflexão cultural e de educação ambiental a partir do tema “Cadê a árvore que tava aqui?”, que foram julgados pelos curadores Ilka Westermeyer, Leonardo Merçon e Roberta Fassarela.

Além da seleção para a Competitiva, os curadores embarcaram na missão de escolher obras sobre meio ambiente para o público infantil, que compõem a mostra inédita Cine.Eminha. A curadora Roberta Fassarela destaca que pode parecer fácil demonstrar uma alusão da participação de crianças e jovens em ações de pro atividade pela questão ambiental, pura e simplesmente mas não é. “Nosso desafio é de nos lançarmos numa aventura de intersubjetividades e abordar a relação de crianças com a natureza; a questão ecológica da sociedade, porém relacionando-a a perspectiva infanto-juvenil; reconhecer o protagonismo infanto-juvenil nas discussões ambientais, resgatar nossa criança criativa frente a nosso adulto que adultera; e muito mais”, declara. Segundo ela, refletir sobre o roteiro, produção, imagens, sons e edição completa o exercício de diálogo com esses saberes-e- fazeres, que, em resumo, almejam um mundo melhor em que nos incluímos como pessoas melhores. “Nossas escolhas para a mostra são simplesmente um pequeno-grande recorte de nosso prazer por compartilhar essa aventura! Tem animação, documentário, ficção e mais expressões de nossas esperanças coletivas de seguirmos juntos. E vamos!”, enfatiza.

O festival tem como proposta reconhecer a produção audiovisual destinada ao relacionamento com o meio ambiente nas mais diversas formas narrativas e introspectivas, trazendo à tona a importância da preservação de forma criativa, dinâmica e interativa, proporcionando um verdadeiro encontro entre a cultura e os aspectos naturais que circundam o distrito e a diversidade do Brasil.

Inspirado na Pedra da Ema, ícone natural e paisagístico de Burarama, o “Cine.Ema” é realizado desde 2015 e conta com uma vasta programação, com atividades paralelas de educação ambiental que relacionem a ruralidade do distrito de Burarama, que é considerada a principal rota agroturística de Cachoeiro de Itapemirim, ao sul do estado.

Os curtas serão exibidos para o público nos dias 8 e 9 de junho, na Praça José Gava, com entrada gratuita. O vencedores serão conhecidos no encerramento do evento.

Mostra Cine.Eminha
A grande novidade desta edição do evento é o Cine.Eminha, uma mostra de cinema ambiental infantil. Os filmes também passaram pela avaliação dos curadores e os selecionados são: “Os Segredos do Rio Grande”, de Analúcia Godoi e os alunos do Projeto Animação (ES/MG, animação, 5min), “Bolona de Pelo”, de Almir Correia, (PR, animação, 11min), “As aventuras da Marigota – Quem conta um conto, aumenta um ponto”, de Daniel Barosa e Nikolas Maciel (SP, animação, 5min), e “O menino leão e a menina coruja”, de Renan Montenegro (DF, ficção, 16min).

Sobre os curtas

– Desbrava, de Gustavo Girotto (SP), doc, 8min
Após muito tempo sem acampar, dois amigos partem em busca da cachoeira do Itiquira, uma das maiores do Brasil. No caminho, se aventuram refazendo uma trilha que marcou sua infância no cerrado brasileiro.

– A Horta, de Carla Leoni e Richard Dantas (SP), fic, 12min
Em um mundo distópico, Camila precisa escolher entre viver em sua zona de conforto ou romper as amarras e entrar numa desconhecida, porém fascinante realidade. Curta-Metragem vencedor do edital 21 Cultura Inglesa Festival.

Pedro e o Velho Chico, de Renato Gaia (MG), ani, 18min
Curta metragem de animação inspirado no livro infantil “Pedro e o Velho Chico”, conta a história do garoto Pedro e do catador de material reciclável “Seu Chico“. Ao emprestar seu diário ao garoto o “Velho Chico” o convida para uma viagem mágica pelo rio São Francisco. Apresenta um universo lúdico de leveza, magia e encantamento para as crianças, o curta traz reflexões importantes para as futuras gerações acerca dos problemas que envolvem o Rio São Francisco. O curta foi premiado com o troféu canoa de Tolda como melhor filme por juri popular durante o Circuito Penedo de Cinema 2018.

Latossolo, de Michel Santos (BA) híbrido, 18min
O filme aborda de forma sensorial as relações humanas e a exploração da agricultura na região oeste da Bahia. Suas consequências sociais e ambientais no crescimento da cidade de Luís Eduardo Magalhães, utilizando da montagem e da construção imagética e sonora como narrativa.

Nanã, de Rafael Amorim (PE), fic, 25min
Em um complexo portuário e industrial, a população enfrenta o processo de gentrificação do território. A resistência é a terra. “Uns escutam raízes, outros sussurram, a Terra se abre em gretas, grita. Nanã reimagina o cotidiano no território em trânsito de Suape em Pernambuco, conectado as forças sutis e violentas que o atravessam. Articulando a denúncia de ações mundanas com o anúncio de um mundo por vir. O filme de imagens-sons-re-encanta o mundo ao recriá-lo.”

Tembîara, de Jackson Abacatu (MG), ani, 10min
Narrado na língua tupi, “Tembîara” traz a história de três caçadores, uma caça e um observador, em um lugar onde a ação pode se tornar inútil ante seu objetivo. Inspirado no poema de mesmo nome, que significa “a presa”.

Cisternas nas escolas, de Tiago Vieira dos Santos (GO/BA), doc, 18min
É a história da implantação de um projeto em escolas sertanejas, que aliou novas oportunidades para o desenvolvimento da criança, através de cisternas e hortas comunitárias.

A garota que reciclava sonhos, de Patrick Moysés (MG) fic, 25min
Rosa é uma garota que foge de casa e vai morar na rua. Seu único modo de sobrevivência é a reciclagem do lixo que encontra nas lixeiras de sua cidade. Porém seu destino muda quando encontra antigos colegas de sala de aula.

Serviço
4ª edição do Cine.Ema – Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo
Oficinas, mostras de cinema, shows e teatro
Data: 05 a 09/06
Local: Praça José Gava, Burarama – Cachoeiro de Itapemirim/ES
Entrada gratuita

Festival Ambiental com atrações educativas ambientais e culturais movimenta o sul do Estado

Programação Cine.Ema 2018

5 a 8 de Junho (terça a sexta)
Oficina de vídeo ambiental
8h às 13h / Local: Escola Wilson Resende
A cineasta alemã Ilka Westermeyer conduz os estudantes a uma descoberta sobre o mundo audiovisual

Observação de aves
6h às 12h / Local: Escola Wilson Resende
Momento de despertar o olhar para a natureza! Léo Merçon e Filipe Ventura conduzem os jovens em trilhas, buscando conhecer diferentes espécies de aves.

8 de Junho (sexta)
Local: Praça José Gava

Feira da AME
19h – Feira da Associação dos Moradores Empreendedores de Burarama

Mostra Competitiva de Curtas (Parte 1)
20h
A Horta, de Carla Leoni e Richard Dantas (SP), fic, 12min
Pedro e o Velho Chico, de Renato Gaia (MG), ani, 18min
Desbrava, de Gustavo Girotto (SP), doc, 8min
Latossolo, de Michel Santos (BA) híbrido, 18min

Mostra homenagem “Orlando Bomfim”
21h
Augusto Ruschi Guaianumbi (35mm, 1979, cor, 12’)
Itaúnas: Desastre Ecológico (35mm, 1979, cor, 9’)

Show Musical
22h – Kátia Rocha e Banda
09 de Junho (sábado)
Local: Praça José Gava

Feira da AME
19h – Feira da Associação dos Moradores Empreendedores de Burarama

Mostra Competitiva de Curtas (Parte 2)
19h30 / Local: Praça José Gava
Nanã, de Rafael Amorim (PE), fic, 25min
Tembîara, de Jackson Abacatu (MG), ani, 10min
Cisternas nas escolas, de Tiago Vieira dos Santos (GO/BA), doc,18min
A garota que reciclava sonhos, de Patrick Moysés (MG) fic, 25min

Premiação Cine.Ema
21h30

Show Musical
22h – Trio Maracá

 

Mostra Cine.Eminha
A grande novidade desta edição do evento é o Cine.Eminha, uma mostra de cinema ambiental infantil, que também está com uma programação super bacana, exclusiva e gratuita para a criançada. Confira:

Programação Cine.Eminha

Cine.Eminha no teatro
Palestra + Mostra
Mostra de cinema e palestra sobre o meio ambiente
Com Léo Merçon (Vitória)
30 de maio | quarta-feira | 14h às 17h | Teatro Rubem Braga

Oficina de Pintura Criativa
Tirando bichos da cabeça
Com Fernanda Fassarella (Burarama)
5 a 8 de Junho | terça a sexta | 8h às 11h | Escola Hysen Darcy Perim

Cine.Eminha na Escola
Teatro + Mostra
Peça “O Guardião do Rio”
Com Grupo Gota pó e poeira (Guaçuí)
8 de junho | sexta-feira | 9h | Escola Wilson Resende

Papo Nique
Aniversário da árvore Cine.Ema com teatro
Peça “A árvore que fugiu do quintal”
Com Grupo Gota pó e poeira (Guaçuí)
09 de junho | sábado | 16h | Quintal da Dona Alair

Cine.Eminha na Praça
Música + Mostra
MPB para as crianças
Com a banda No seu abracinho (Vitória)
09 de junho | sábado | 17h | Praça José Gava

Conheça os curadores do Cine.Ema

Roberta Fassarela, Ilka Westermeyer e Leonardo Merçon: curadores do Cine.Ema

Roberta Fassarela, Ilka Westermeyer e Leonardo Merçon: curadores desta edição do Cine.Ema

A ponte entre a crítica e o mercado consumidor. Assim podemos definir o importante papel do curador. E um time de peso foi escalado para fazer a seleção dos filmes inscritos no Cine.Ema: Ilka Westermeyer – cineasta ambiental no Instituto Últimos Refúgios, Roberta Fassarela – coordenou projetos em educação socioambiental na Verve Produções e consultoria no Instituto de Pesquisas da Mata Atlântica (Ipema) e junto ao Unicef e Leonardo Merçon – presidente do Instituto Últimos Refúgios e fotógrafo de natureza.

Para Ilka Westermeyer, o maior desafio curatorial do Cine.Ema é selecionar, entre tantos trabalhos de imensa qualidade, um número pequeno de obras. “Fico sempre muito impressionada com o que vejo, muitos, inclusive, gostaria que fossem transformados em longa-metragem. Selecionamos aqueles que sabemos que o público vai gostar. Mesmo tendo essa dificuldade, é muito prazeroso fazer este trabalho”, declara.

Confira os curtas selecionados

Festival enaltece as belezas do distrito de Burarama

Festival enaltece as belezas do distrito de Burarama, distrito de Cachoeiro de Itapemirim

Cineastas mineiros lideram, com três produções, a indicação dos curtas que concorrem ao Sino de Ouro, principal honraria do Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo (Cine.Ema) dada para as melhores produções audiovisuais nas categorias animação, documentário e ficção.

Disputam a premiação os filmes “Pedro e o Velho Chico”, de Renato Gaia, “Tembîara”, de Jackson Abacatu, e “A garota que reciclava sonhos”, de Patrick Moysés, “A Horta”, de Carla Leoni e Richard Dantas, “Desbrava”, de Gustavo Girotto, “Latossolo”, de Michel Santos, “Nanã”, de Rafael Amorim e “Cisternas nas escolas”, de Tiago Vieira dos Santos. Ao todo, foram cerca de 100 inscritos entre os da mostra competitiva e os da não-competitiva para uma reflexão cultural e de educação ambiental a partir do tema “Cadê a árvore que tava aqui?”.

O cineasta paulista Gustavo Girotto destaca que é muito gratificante participar de uma mostra como o Cine.Ema, especialmente por tratar de um tema importante como o cuidado e valorização do meio-ambiente. “A sustentabilidade está cada vez mais em evidência e fico feliz que os festivais estejam dando um espaço maior pra esse tema. A arte sempre refletiu a cultura e política vigentes, e deve ser usada não só como reflexo do mundo ao redor, mas também como agente de mudança”, declara. O pernambucano Rafael Amorim também comemora o fato de ter seu filme concorrendo ao Sino de Ouro. “É muito bom receber a notícia que o filme vai passar em um festival. Além de se tratar de uma mostra competitiva, é uma janela para o filme ser visto e discutido. E uma das maiores satisfações de se fazer filme é justamente a possibilidade que essa narrativa seja colocada em vários fóruns com públicos diversos abrindo debate para o trabalho fazer sentido. E o sentido dele é justamente poder ser visto”, diz.

O festival tem como proposta reconhecer a produção audiovisual destinada ao relacionamento com o meio ambiente nas mais diversas formas narrativas e introspectivas, trazendo à tona a importância da preservação de forma criativa, dinâmica e interativa, proporcionando um verdadeiro encontro entre a cultura e os aspectos naturais que circundam o distrito e a diversidade do Brasil.

Foto: Eliane Grillo

Troféu sustentável para os melhores curtas

O troféu é uma criação do artista plástico Bruno Salvador

O troféu, dado aos melhores curtas da mostra, é uma criação do artista plástico Bruno Salvador

O cobiçado troféu Sino de Ouro, dado aos melhores curtas da mostra competitiva do Cine.Ema é uma criação do artista plástico Bruno Salvador. Totalmente confeccionada com materiais reciclados, firmando seu conceito de sustentabilidade, é uma peça em alusão a lenda da Pedra da Ema, que garante existir um sino de ouro enterrado no local, guardado pelos bons espíritos, que, à meia noite, se reúnem no seu entorno. O Sino de Ouro representa as nossas preciosidades pessoais e as suas asas simbolizam a permissibilidade de encontrarmos detalhes internos e transformá-los em novas características pessoais, dando asas a nossa imaginação e a nossa evolução, nos tornando seres melhores.

Cinema Ambiental do Espírito Santo em destaque na América Latina

Encontro de produtores de Cinema Ambiental O Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo, Cine.Ema, que chega a quarta edição, nos dias 8 e 9 de junho, no distrito de Burarama, Cachoeiro de Itapemirim, é o único em execução com a temática sobre o Meio Ambiente no Estado. Evento que envolve a sociedade civil, principalmente jovens nos debates sobre as carências dos recursos naturais e importância da sustentabilidade e preservação da natureza.

Em agosto do ano passado o Cine.Ema participou do primeiro encontro de produtores de festivais de Cinema Ambiental da América Latina, que aconteceu em Santos, São Paulo,com o tema “O meio é o todo”. Além das discussões sobre as dificuldades e facilidades de fazer um festival de cinema, foi criado uma rede de compartilhamento de experiências e mobilização para assuntos ligados ao Meio Ambiente.

“Ali todos os produtores da américa tiveram o conhecimento e a consciência de que esse festival existe. Depois desse encontro criamos um grupo que sabemos tudo que está acontecendo e que está sendo preparado para os festivais”, disse Tânia Caju, que representou o Cine.Ema no encontro.

Atuando em questões ambientais no estado desde 2011, o Instituto Últimos Refúgios,  co-realizador do Cine.Ema, surgiu pela necessidade de educação ambiental através da imagem. Em Burarama, o festival envolve a comunidade e estudantes das escolas da região em sua programação. Segundo a curadora do festival Ilka Westermeyer, é preciso sensibilizar os jovens sobre a questão ambiental.

É muito urgente sensibilizar de qualquer forma. Estamos no limite. E o cinema ambiental é uma nova forma de chegar principalmente ao público mais jovem. O cinema, o vídeo é uma coisa que se move que sensibiliza mais rápido”, defende Ilka.

FESTIVAIS

Na América Latina crescem os eventos de cinema e Meio Ambiente. Tem festivais na Patagônia, Estados Unidos, Canadá, Argentina, entre outros países. No Brasil, criado em 1999, no estado de Goiás, o Festival Internacional de Cinema Ambiental “Fica”, além de discutir questões ambientais através do cinema, tem o objetivo de estimular a produção cinematográfica.

“Os Festivais Ambientais são importantes para despertar a consciência de preservação, principalmente nos jovens, através da sétima arte, denunciando e demonstrando as belezas naturais que ainda temos.  Em nosso festival, a importância agora está na atitude que cada um tem perante a natureza. A época de denúncia foi feita, nos resta aplicar o que aprendemos”, afirmou um dos organizadores do Fica, Nasr Fayad Chaul.

FESTIVAIS DE CINEMA AMBIENTAL NO BRASIL

Fonte: Green Nation

Festival de Cinema Ambiental e Sustentável do Espírito Santo – Cine.Ema

A Pedra da Ema é conhecida nacionalmente e é uma das referências naturais do município de Cachoeiro de Itapemirim, localizada no distrito de Burarama. O que encanta na pedra é uma saliência que, de acordo com a posição do sol, forma a figura perfeita de uma Ema. Pode se chegar ao local por estrada asfaltada, com direito a muito verde. O “Cine.ema” é um festival de cinema ambiental criado no Espírito Santo pensado para ser realizado neste distrito e envolvendo a cultura e a riqueza ecológica da região, valorizando também o turismo cultural já que este é hoje uma realidade para muitos municípios que buscam desenvolver-se de forma sustentável e agregar mais valor à sua cidade. O Cine.Ema foi realizado pela primeira vez em julho de 2015.

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Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental de Goiás – Fica

O Fica foi criado por influência do CineEco de Seia, Portugal, como uma ideia de discutir as questões ambientais através do Cinema e estimular a produção cinematográfica se Goiás, extremamente tímida em 1999. Aproveitando também a candidatura da cidade de Goiás a Patrimônio Mundial.

FICA - Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Foto: reprodução facebook/Fica

FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental. Foto: reprodução facebook/Fica

Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema

O Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema nasceu para transformar a vida cultural de duas importantes e prósperas regiões do estado de São Paulo. Estamos falando do Alto do Tietê e o Vale do Paraíba que juntas chegam a marca dos 4 milhões de habitantes. Apesar da proximidade com a capital paulista, dezenas de municípios pertencentes a estas localidades padecem com a falta de cultura e arte para todos. Este fato foi fundamental para o surgimento da ideia inicial e Guararema, com suas belezas naturais e o grande apelo ambiental, tornou-se o palco essencial. O Festival, além da conscientização ambiental criada através de manifestações e palestras temáticas, tem como principal objetivo levar produções do cinema brasileiro a esta enorme população tendente, mas sem possibilidades de acesso ao entretenimento que só a magia do cinema nos proporciona. Usar a cultura como ferramenta educacional também é um outro foco a ser atingido.

Festival de Cinema e Meio Ambiente de Guararema. Foto: reprodução facebook

EcoVision Festival

O EcoVision Festival é uma conexão entre três grandes países, a favor da consciência ambiental, e com grandes documentários. O festival italiano está hospedado em Palermo e o objetivo é aumentar a conscientização sobre as questões ambientais globais, através da utilização de documentários. Filmes que debatem os temas ambientais, podem competir na principal competição na modalidade européia do festival, que também ocorre na China e no Brasil.

CineCipó

O Cinecipó – Festival de Cinema Sócio-Ambiental da Serra do Cipó soma forças à discussão sobre meio-ambiente, diversidade, preservação, sustentabilidade e outros conceitos e ações que são vitais para se pensar o presente e o futuro da humanidade.

CineCipó. Foto: reprodução facebook

Circuito Tela Verde

Trata-se do Circuito Tela Verde, uma iniciativa do Ministério do Meio Ambiente (MMA) e apoio do Ministério da Cultura (MinC), com a finalidade de sensibilizar a sociedade para a questão ambiental.

Com exibição de 51 filmes dos mais variados tipos, desde documentários produzidos por agentes ambientais até curtas de animação de um minuto.

Festival do Rio – Mostra Meio Ambiente

A Mostra Meio Ambiente reúne filmes que abordam as transformações climáticas, ambientais e ecológicas – nem sempre positivas – pelas quais o mundo está passando. Criada em 2009, com imenso sucesso de público, em sua segunda edição, já passou de 8 para 12 filmes.

Fri Cine Ambiental

O FRI CINE SOCIOAMBIENTAL– Festival Internacional de Cinema Socioambiental de Nova Friburgo – visa a exibição, a divulgação e a premiação de filmes, vídeos, idéias e ações que, por seus conteúdos e pela expressividade e originalidade de suas linguagens e formas, contribuam para a solução dos graves problemas sociais e ambientais que perturbam dramaticamente a vida na Terra.

O Festival foi criado em 2006, inicialmente com a denominação de Muri Cine Vídeo Ambiental, tendo por objetivo promover filmes e vídeos capazes de estimular a percepção do público para as questões socioambientais e alertar para a urgência de se preservar a natureza e os valores ecológicos, culturais e turísticos da Mata Atlântica na região de Nova Friburgo.

Environmental Film Festival

O EFF, como é comumente chamado, acontece na capital dos Estados Unidos, Washington D.C., e alerta para os diversos problemas ambientais que o país vem sofrendo ultimamente. Em sua 21º edição, o festival acontece no mês de março e conta com o apoio de diversos outros estados e nações para sua realização. Trazendo temas diferentes todos os anos, o festival exibe desde filmes independentes até aqueles com envolvimento de grandes astros de Hollywood, como Ben Affleck.

 

Mulheres do Espírito Santo no cinema

Foto de Luana Laux

Primeiro filme completamente produzido pela Caju Produções, no Espírito Santo, tem 90% de mulheres na equipe.

Mulheres negras, mestiças, brancas, baianas, paraenses, capixabas, estreantes ou experientes no mercado audiovisual protagonizam Abelha Rainha, projeto de curta metragem vencedor do Prêmio Carmen Santos de Cinema do Ministério da Cultura, o único do Espírito Santo contemplado neste edital que homenageia, em seu título, uma das primeiras mulheres a produzir e dirigir filmes para o cinema brasileiro. O filme Abelha Rainha revela ambientes emocionais sensíveis em uma história de amor singela e ingênua, num ambiente feminino que favorece a construção de uma narrativa livre entre mulheres. A obra mostrará a relação de afeto e interesse da jovem Isabel por Iraí, uma vendedora de mel que mora no interior rural do Espírito Santo.

O roteiro, escrito por Léo Alves (um dos únicos homens da equipe) com adaptações da diretora, trabalha elementos bucólicos sob o ponto de vista de Isabel, que é uma jovem sonhadora, apaixonada, mas reprimida. O projeto é capitaneado pela estreante no cinema, a paraense Thayla Fernandes com produção executiva da baiana Luanna Esteves. Na equipe, destacam-se nomes de mulheres experientes no cenário audiovisual brasileiro como a atriz Suely Bispo e a diretora de fotografia Úrsula Dart. Além das funções de direção e produção, as mulheres também estão presentes na montagem e captação de som.

Uma das pioneiras no mercado da produção cultural no Espírito Santo, a Caju Produções também foi fundada por uma mulher em 2001. Tânia Silva começou sua trajetória na cultura em 1985, quando atuou na assistência de produção do primeiro show do Cazuza (conhecido também pelo apelido “Caju”) em Vitória (ES). Carioca radicada em Vitória, Tânia também assina a produção executiva do filme.

Segundo levantamento recente da Agência Nacional do Cinema, a Ancine (2017),  o mercado cinematográfico brasileiro é uma indústria protagonizada por homens brancos. Tendo como base os 142 longas-metragens brasileiros lançados comercialmente em salas de exibição no ano de 2016, a pesquisa mostra que são dos homens brancos a direção de 75,4% dos longas. As mulheres brancas assinam a direção de 19,7% dos filmes. Nenhum filme em 2016 foi dirigido ou roteirizado por uma mulher negra.

Com filmagens previstas para o mês de maio no distrito bucólico de Burarama, em Cachoeiro de Itapemirim, Abelha Rainha já é uma experiência de reflexão nos bastidores da pré-produção. Para Luanna Esteves, produtora executiva, o filme é um impulso para discussões sobre questões de gênero e representação.“Cada escolha no filme é uma oportunidade de exercer a escuta, dar voz, dar as mãos. Das escolhas estéticas, da narrativa… Tem sido um processo de muita sensibilidade, uma parceria real entre nós, mulheres. É um filme essencialmente feminino e tentamos trazer isso para o processo de sintonia da equipe também. Cada uma se coloca, agrega, soma e nos sentimos mais fortes, mais potentes assim”, afirma Luanna.

Para a diretora do filme, Thayla Fernandes o projeto também é uma oportunidade de politizar o mercado. “Acredito que no campo do audiovisual ainda há um número diminuto de mulheres ocupando funções principais, e não por falta de talento, de profissionalismo, de visão. Trabalhamos para que nosso curta seja mais um movimento no sentido de romper com isto, e da forma mais horizontal e coletivizada possível”, afirma a diretora.

Num tempo onde as mulheres ainda não alcançaram o grau de representatividade e equilíbrio na produção audiovisual do Brasil, discussões como estas se tornam muito importantes para o desenvolvimento do cinema.