Festival Multipliqui leva atrações culturais para Muqui

A segunda edição do festival multicultural será na praça São João Batista

Nos dias 29 e 30 de abril acontece a segunda edição do Festival Jovem de Integração Cultural de Muqui, o Multipliqui. O evento, que será realizado no sítio histórico no sul do Estado, reunirá várias atrações culturais, entre elas, um concurso de bandas independentes.

Com uma nova proposta, o Multipliqui traz ao público a discussão de tomadas de espaços públicos ociosos na cidade, onde é possível criar alternativas para a ocupação com ações culturais e artísticas, colaborando com a identidade local e a criação de novas formas de arte e entretenimento. O próprio local escolhido para a realização das atividades do festival é um exemplo dessa intenção.

O Multpliqui (com i mesmo, de Muqui, de integração, de invenção e interação) é um projeto de integração cultural que foi realizado pela primeira vez em 2013, como um movimento independente de cultura fruto da união de inúmeros coletivos jovens da cidade, propondo ações de intercâmbio cultural e de linguagens, aproximando a multiplicidade das realizações da juventude com o turismo cultural e a economia criativa, incentivando a produção de conteúdo e projeção de materiais criativos, em parceria com o poder público, instituições culturais e sociedade civil.

O projeto promove oficinas, apresentações musicais e ações envolvendo moda e audiovisual.

 

Música, cinema e Moda!

Durante o festival, três bandas concorrerão ao prêmio e troféu “Múltiplos”. A banda vencedora será escolhida pelo público, assim como os concorrentes da categoria videoclipe, na qual o vencedor também receberá o troféu.

Em parceria com o cineclube “CinEstação”, projeções de filmes e teasers serão projetados na parte externa na estação de Muqui.

Também com o coletivo “Muqui na Passarela”, será realizada uma oficina de criação e customização de looks inspirados nas Folias de Reis, ministrada pelo estilista Wander Polati. Os looks criados durante a oficina serão apresentados ao público na noite do dia 30 juntamente com figurinos especiais assinados pelo artista.

Venham multiplicar!!!

Confira a programação completa:

 

SEXTA 29 DE ABRIL

13:00 AS 18:00 – OFICINA CULTURA NA PASSARELA

(Oficina de confecção e customização de roupas e acessórios com tema inspirado nas Folias De Reis. Com o estilista e criador do projeto “Muqui na Passarela” Wander Polati).

20:00 – ABERTURA DE FOOD TRUCKS – Praça São João Batista/Pracinha do Hotel Nunes

20:00 – PROJEÇÃO DOS VIDEOCLIPES CONCORRENTES AO TROFÉU “MÚLTIPLOS” DE MELHOR CLIPE. – Estação

21:00 – DJ GUSTAVO TXAI – Estação

SÁBADO 30 DE ABRIL

18:00 – ABERTURA FOOD TRUCKS – Praça São João Batista/Pracinha do Hotel Nunes

19:00 – ABERTURA OFICIAL DO EVENTO – Praça São João Batista/Pracinha do Hotel Nunes

19:20 – BANDA PARACHOQUE

20:00 – DESFILE CULTURA NA PASSARELA

(com as peças criadas durante a oficina e com looks especiais do estilista Wander Polati)

20:30 – SHOW COMPETITIVO com o grupo “A MESA”

21:30 – SHOW COMPETITIVO com o grupo VÃO VÃO VÃO

22:30 – SHOW COMPETITIVO com ANDRÉ PRANDO

23:30 – SELEÇÃO TROPICOOL COM ANANDA MIRANDA (Vitória, ES)

00:00 – PREMIAÇÃO | BANDAS E CLIPE

** O público elegerá a melhor banda, fique ligado para retirar seu ticket de votação no evento.


|| CAJU PRODUÇÕES ||

Mariana Candido Gabriel
(27) 9 99881 4863

Assistente de Produção Caju Produções
Vitória ES
(27) 3026 0051

 

Inscrições abertas para a 2ª edição do Cine.Ema

Cine.Ema Burarama

Apresentadores durante a 1ª edição do Cine.Ema em 2015

Começam nesta segunda-feira, 18 de abril, as inscrições de filmes para o 2º Cine.Ema – Festival de Cinema Ambiental e Sustentável de Burarama, que acontece em Cachoeiro de Itapemirim, com o apoio da Odebrecht Ambiental e outras instituições parceiras. O prazo para inscrições de filmes para a mostra competitiva vai até 30 de abril, no site do Instituto Últimos Refúgios – http://www.ultimosrefugios.org.br/ – onde existe um espaço reservado só para este objetivo.

Os filmes devem ser de curta-metragem em até 15 minutos, nas categorias ficção, documentário e animação, realizados em qualquer ano. A temática é livre, mas a prioridade é para os aspectos ambientais e sustentáveis. Pode participar qualquer produtora ou produtor independente de qualquer parte do Brasil, desde que obrigatoriamente relacione direta ou indiretamente o meio ambiente e questões sustentáveis. Cada proponente pode inscrever quantos filmes desejar.

Já a programação geral do evento, que acontece nos dias 1º e 2 de julho, em Cachoeiro de Itapemirim, terá como tema central “Aves de Burarama”. Além da mostra competitiva de filmes que premiará os vencedores em cada categoria com o Troféu Ema, a programação contempla oficinas, palestras, trilhas ecológicas e shows musicais, entre outras atividades.

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NOVIDADE

Como novidade deste ano, as oficinas acontecerão mais cedo, de 13 de maio a 18 de junho. Os temas previstos são empreendedorismo, produção cultural, observação de aves e cinema ambiental. A finalidade é capacitar a comunidade para o festival, visando estimular os moradores para a prática do cinema ou para o turismo e o empreendedorismo criativo, transformando o distrito de Burarama em referência turística e cultural no sul do Estado.

O Cine.Ema é uma realização do Ministério da Cultura, da Caju Produções e do Instituto Últimos Refúgios, com o apoio da Odebrecht Ambiental em Cachoeiro de Itapemirim, da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ministério do Meio Ambiente.

Segundo o diretor da Odebrecht Ambiental, Bruno Ravaglia, a empresa é uma das parceiras do Cine.Ema pelo compromisso que tem com o desenvolvimento socioambiental das comunidades onde atua, levando os serviços de água e esgoto. “Apoiamos o Cine.Ema já na sua primeira edição, realizada no ano passado, pois o festival traz uma proposta muito interessante: tem em sua programação atividades direcionadas para a importância do meio ambiente e da preservação e produção da água”, afirma o diretor.

Como surgiu o festival 

O Cine.Ema – Festival de Cinema Ambiental e Sustentável de Burarama nasceu da ideia de valorizar a Pedra da Ema, no distrito de Burarama, principal rota turística de Cachoeiro de Itapemirim. A pedra, que de acordo com a posição do sol forma a figura perfeita de uma Ema, é conhecida nacionalmente, sendo uma das referências naturais de Cachoeiro de Itapemirim.

“Burarama tem uma riqueza ambiental e turística que deve ser valorizada. O distrito também tem vocação cinematográfica, tendo sido cenário para filmes locais como ‘O que Beberico vai pensar’, do cineasta cachoeirense Diego Scarparo e, da obra de ficção ‘Teobaldo Morto Romeu Exilado’, de Rodrigo de Oliveira”, destaca o sócio-diretor da Caju Produções, Leonardo Alves.

Mais informações para a imprensa:

Rita Diascanio e Jackeline Gama – Contatus Comunicação – (27) 3089-4100 / (28) 9 9962-8113

Rosa Malena Carvalho e Milena Camporez – Comunicação da Odebrecht Ambiental em Cachoeiro de Itapemirim – (28) 2101-3377

Caju Produções produzirá Escola de Compositores em Viana (ES)

Em parceria com a produtora Mariana Sathler, a Caju realizará oficinas de composição com crianças e adolescentes de Viana (ES). O projeto é realizado com recursos do Funcultura e da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo.

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Há anos o Espírito Santo têm sido o berço de muitos compositores e músicos que ganharam destaque nacional e internacional, contribuindo para a história da música brasileira. Podemos citar nomes como Jair Amorim, Zé Renato, Carlos Imperial, Sérgio Sampaio, Raul Sampaio, Roberto Menescal, Nara Leão, Roberto Carlos. Apesar disso, nas últimas décadas (e isto se deve certamente a vários fatores) é perceptível um decréscimo no número de artistas de nosso estado que se destacam e se despontam em outros cenários senão os de casa, cabendo uma reflexão importante sobre qual o panorama atual do investimento em novos compositores locais e, ao mesmo tempo, no incentivo para o surgimento de novos artistas.

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Encontro de Mariana Sathler e Fepaschoal (ministrante da oficina) na Escola Maria de Novaes Pinheiros, em Viana (ES)

O projeto “Escola de compositores” busca na infância e na adolescência motivos para incentivar que a garotada trafegue pelos caminhos de imaginação e criatividade, com acesso e oportunidade para conhecer a história de compositores capixabas, experimentando a possibilidade de escrita e de transformação individual e coletiva a partir da música, resultando no aumento de sua autoestima, autoconhecimento e desenvolvimento da capacidade crítica e criativa. O projeto pretende realizar oficinas de composição em escolas públicas do Espírito Santo, em especial em cidades de onde grande parte de nossos artistas são originários, incentivando, também, que estes estudantes conheçam e passem a respeitar/admirar os artistas que surgiram de sua localidade, entendendo-a como potencial.

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A produtora Mariana Sathler divulgando as inscrições para a oficina de composição

O processo metodológico deste projeto se inspira na experiência realizada na Escola Estadual JK (MG) por um grupo de estagiários da disciplina Prática de Ensino do Curso de Música da UFU (Universidade Federal de Uberlândia) que resultou em composições de crianças de 08 a 14 anos. Um trecho do processo do trabalho é descrito abaixo:

“As composições foram realizadas em grupo. As crianças se organizaram da forma e com quem quiseram. As primeiras reações foram de estranheza. Compor? Compor o quê? Diziam que não sabiam compor, ou que não eram compositores. Diziam que o compositor era alguém muito importante e que eles não eram importantes. Depois desse primeiro momento de estranhamento as crianças foram se organizando. Os grupos foram se modificando ao longo do trabalho. À medida que as composições aconteciam esses grupos tiveram mutações ou porque os interesses iam mudando, ou por se identificarem com os colegas, ou porque gostavam da música do outro grupo que começava a tomar forma. No início havia um grupo que tinha 2 meninos e as demais meninas, mas no final, um aluno ficou sozinho e terminaram 2 grupos: um de 8 meninos e outro de 6 meninas. A composição era livre. A única sugestão dada foi que a música deveria trabalhar com o tema: a escola. Não foi sugerido nem o gênero de música ou estilo, instrumentação, duração ou letra, nem de que lugar partiria ou iniciaria o processo da composição.”

Em breve, mais novidades deste projeto!!!

Produtor cultural no Espírito Santo é [quase] santo!

 

Por Léo Alves [Caju Produções]

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Espírito São surgiu, em primeiro plano, como uma ode ao “Espírito Santo”, um projeto cultural de apelo devocional que buscava (e busca) identificar ou entender parte do universo de fé que existe dentro do Estado, amparado na sua extrema diversidade geográfica, cultural e religiosa. Eu confesso que não fazia ideia da dimensão universal que o projeto poderia ganhar ao longo do tempo (e em tão pouco tempo).

O tema do projeto (que eu não conseguiria descrever em poucas linhas dada a sua complexidade) é tão abrangente quanto a própria definição de “Santo” e de “Espírito”. O aspecto espiritual, que paira sobre a identidade desta iniciativa é a palavra mais apropriada para guiar os trabalhos de pesquisa e dos encontros que realizamos com pessoas de povos e comunidades distintas e tão semelhantes entre si. O que eu buscava com a primeira ação de Espírito São? Me encontrar como espírito-santense (já que a minha vida e da minha família rural em Muqui sempre foi independente da capital capixaba e do restante do território) e descobrir um Estado que, não apenas se diz “Santo” em seu título, mas carrega em sua bandeira a fé do trabalho, a esperança que renova a possibilidade espiritual de amadurecer, de se reerguer e de continuar uma caminhada.

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Eu continuo em busca (não de uma identidade fechada, fixa, ilusória ou caricata), mas da possibilidade real de experimentar lugares e vivenciar experiências de vida com pessoas que praticam, de fato, essa fé no cotidiano: no coletivo, na família, na comunidade e na preocupação em fazer o bem e perpetuar essa esperança da bandeira “capixaba” que tem cor do céu de Itaúnas. O rosa, manto que cobre o sol que encerra sua apresentação diária, o branco, intermediário, a separação entre o sol e a lua, e azul ainda permanente em tom mais escuro do restante do céu.

Foi nas estradas desse lugar abençoado no norte do Estado que a jornada de Espírito São começou, no início de 2015. Nosso objetivo foi encontrar pessoas com histórias para contar e que envolvesse diretamente seus santos de devoção, ou seus rituais sagrados, íntimos e humanos. O desafio de encontrar as pessoas, entrevista-las e fotografá-las foi aceito (tanto pela equipe quanto pelos próprios personagens encontrados), e o resultado foi um pequeno catálogo de fotos e textos, uma espécie de registro visual e biográfico com o objetivo simples e, ao mesmo tempo, ambicioso de pre-ser-var.

O desafio que esta palavra colocou em nosso trabalho foi (e continua sendo) complexo dada a incerteza de sua real possibilidade. Sim, é claro que é possível preservar memória com ações, materiais, produtos, catálogos, diálogos… mas até que ponto o que fazemos vai penetrar a camada do desconhecido, chegar a ser lido, acessado? Por quem? Para quem? Como fazer este produto ser lembrado e, principalmente utilizado? Como fazer valer todo o investimento realizado na construção de um catálogo sem que haja investimento em publicidade pura e simples? Como estampar e fazer estas histórias serem conhecidas e, principalmente, reconhecidas sem que tenhamos que estampá-las em um outdoor?

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O desafio estava aí e é o mesmíssimo que se apresenta em todo trabalho cultural: a distribuição, a divulgação, o uso. É assim na música, no cinema independente, nas artes visuais. É difícil a missão de ser visto, aplaudido, compreendido, lido e ao mesmo tempo se manter como um fazedor, produtor, artista (a não ser que esta não seja uma missão levada ao cabo por quem faz).

O fato é que, sim, há investimentos em editais culturais (como o que manteve e viabilizou o catálogo de Espírito São em 2015), mas é bem verdade que o papel em se manter, tornar vivo o produto feito, sustentável e útil é o desafio entregue de bandeja com o cheque do “prêmio-patrocínio-apoio” (uma quase “multi-definição” que assim os editais se apresentam em um mesmo certame – os principais do Estado do Espírito Santo) aos produtores culturais, acrescidos dos valores de INSS, Ecad, taxas, Imposto de renda e qualquer outro tributo deixados como um “presente” que eu chamaria (novamente, sendo repetitivo) de desafio ou convite: uma provocação que cheira o tipo do “faça e seja visto, se for capaz”. Quem toma pra si esta tarefa, se organiza, forma uma equipe que ama igualmente o projeto e vive disso com espiritualidade e entrega total tem grandes chances de realizar um feito bastante interessante como foi a primeira entrega ao Espírito São, ao Espírito Santo, amém.

Nesse sentido, o produtor cultural é quase um santo, obrigado a fazer milagre se quiser ver e fazer valer com qualidade aquilo que propôs como objeto em seu projeto cultural. E mais: fazer o projeto tornar-se sustentável não é apenas uma premissa da economia criativa, a visão empreendedora vai além: há de se ter a noção do como que aquele projeto pode sair do papel e, principalmente se desdobrar, mesmo condicionado ao valor de apoio de um certame que (volto a referenciar os editais culturais do Estado do Espírito Santo) obrigam o cumprimento do objeto sem qualquer outro patrocínio complementar. Aí sim o desafio torna-se mais complexo ainda. Onde está o lugar da propriedade intelectual e do próprio direito garantido dentro da meritocracia (que é anunciada como premissa básica dos editais culturais) se você não pode complementar um projeto com outras fontes que também acreditaram em seu produto cultural e na sua ideia. Mais um desafio imposto: As mesmas instituições que incentivam e querem que os projetos sejam “sustentáveis”, limitam sua abrangência de captação de recursos. Mas isso é papo pra político e eu ainda estou preferindo me meter à empreendedor cultural e artista nas horas vagas.

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Agora, o que tudo isso tem a ver com Espírito São? Tudo. Desde o momento em que percebi que a ideia e o conceito, defendido para a realização primeira de um simples catálogo aprovado em um edital cultural do Espírito Santo, poderia render outros produtos culturais, os desafios anteriormente e posteriormente citados neste texto poderiam ser “sanados” com outras possibilidades de repercussão: um documentário, uma série de web TV, as incursões nas universidades, no ensino básico fundamental, nas oficinas, palestras, livros, exposições fotográficas dentre outros. Cumprir a função social, cultural e econômica é papel de uma iniciativa, mas nem toda ela é possível em uma primeira e única empreitada. É preciso um caminho, um processo com ramificações, braços. Entra aí a defesa do projeto “Espírito São” como uma multipataforma de conteúdo. Desdobrar um tema universal em diferentes formatos e garantir a penetração do tema da memória social, da espiritualidade, da cultura popular e da religiosidade em outros meios sociais e diferentes territórios foi um compromisso assumido dentro do próprio conceito da minha empresa: a Caju produções, fundada em 2001 pela minha sócia Tânia Silva.

Indagações impulsionam e ao mesmo tempo, preocupam grande parte da produção cultural quando o assunto é distribuição, divulgação, uso. O que fazemos? Pra quem? Até quando? Desde que iniciei uma vida no campo da produção de cultura, sempre acreditei que qualquer esforço deveria valer a pena e servir uma motivação social ou cultural. Um produto de cultura tem que ser útil para alguém no sentido mais direto da palavra: ser utilizado. Esta premissa começou a tomar o projeto já nos trabalhos iniciais em Itaúnas. Retornar à vila para apresentar o projeto concluído não era mais um desejo ou uma mera contrapartida, era uma obrigação. Mas o desafio continuava: o de tornar o projeto útil.

O interesse em realizar parceria com as escolas municipais da região, envolvendo a memória, a fotografia, a pesquisa e a escrita (que dialogam diretamente com disciplinas como português, literatura e artes) possibilitou que durante o processo já surgisse a oportunidade de criar um projeto paralelo chamado “Espírito Sãozinho”. A ação ainda não chegou a sair do papel, mas foi esta capacidade de entender o projeto com desdobramentos que possibilitou pensar em um projeto multiplataforma. Ao longo das andanças ali mesmo em Itaúnas, Conceição da Barra e São Mateus nos perguntávamos: temos que registrar estas histórias em vídeo, são fantásticas! Daí também surgiu a ideia de transformar Espírito São em documentário, ampliando a forma de registro destas histórias, tornando-as mais dinâmicas pelo olhar audiovisual, tendo chances mais democráticas de acesso.

O catálogo foi finalizado com sete personagens, a maioria deles ligados especialmente às manifestações culturais populares do norte do Espírito Santo como o Ticumbi e o Reis de Boi. O verdadeiro mergulho de nossa equipe dentro do universo destas manifestações possibilitou entender um pouquinho de nossas referências africanas especialmente ligadas à região norte do Estado (Conceição da Barra e São Mateus) instigando pensar em uma futura viagem à Moçambique, o que poderia aumentar as chances de repercussão do projeto em escala universitária já que a proposta seria apresentar Espírito São na Universidade Eduardo Mondlane, uma das mais tradicionais do território africano.

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Um mundo de possibilidades se abriu diante do projeto, a ligação com a educação, em uma escala fundamental e, ao mesmo tempo, universitária atingindo níveis de conhecimento e interpretação amparadas na pesquisa fazem o produto cultural ter força, engajamento e potencial de desdobramento. Sonho de qualquer produtor cultural é ter um projeto viável, crível e ao mesmo tempo realizável e sustentável, um projeto que as pessoas acreditem e entendam a importância, que tenha força identitária e conceitual, que finque raízes e que possa ser “plantado” em qualquer solo. Espírito São nasceu assim. Sem pretensões de ser “grande”, mas com potencial para abastecer-se de conteúdo dos mais diversos formatos, sobrevivendo e se renovando como os próprios espíritos, nem sempre “santos”, mas cheios de histórias para contar como todo território brasileiro.

Espírito São, que em um primeiro momento era a identificação direta com o nome do Estado do Espírito Santo, torna-se a identificação com territórios sãos e santos, espirituais como qualquer lugar sagrado, íntimo, individual ou coletivo desse Brasil, onde a mesma diversidade “capixaba” toma escala grandiosa, fonte inesgotável de referências e de temas densos, complexos e ricos, capazes de alimentar não apenas mais um braço de Espírito São, mas um Brasil São em sua versão mais plural, mais “ão”.

Que venham as novas aventuras, as novas estradas e uma nova jornada.

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